Como implementar ESG na gestão pública?
A implementação de uma agenda ESG precisa considerar o contexto e o nível de maturidade de cada organização. Não existe um único modelo aplicável a todos os órgãos e entidades.
Algumas etapas podem contribuir para estruturar esse processo:
Realizar um diagnóstico:
O primeiro passo é compreender a situação atual da organização. O diagnóstico pode identificar:
- práticas já existentes;
- principais impactos ambientais e sociais;
- riscos relacionados à governança;
- processos que precisam ser aprimorados;
- indicadores disponíveis;
- lacunas de informação;
- responsabilidades existentes;
- iniciativas que já estão em andamento.
Esse levantamento ajuda a identificar o que a organização já realiza e a localizar pontos que podem ser aprimorados.
Definir prioridades:
Depois do diagnóstico, é necessário estabelecer quais temas devem receber atenção prioritária. Eles podem variar conforme a missão institucional, o território de atuação, os serviços prestados, os recursos disponíveis e os principais riscos e impactos identificados.
Uma organização responsável por infraestrutura, por exemplo, pode enfrentar questões ambientais diferentes das encontradas em um órgão predominantemente administrativo.
Por isso, a implementação de ESG deve partir do contexto da organização, e não apenas de uma lista padronizada de iniciativas.
Integrar ESG ao planejamento estratégico:
Um dos principais caminhos para evitar que ESG se torne uma agenda isolada é relacioná-lo ao planejamento estratégico. As dimensões ambiental, social e de governança podem ser consideradas na definição de:
- objetivos estratégicos;
- iniciativas;
- projetos;
- responsabilidades;
Essa integração permite que ESG faça parte da gestão da organização e seja acompanhado junto aos demais objetivos estratégicos.
Definir indicadores e metas:
A implementação de práticas ESG precisa ser acompanhada por informações que permitam verificar sua evolução. Os indicadores devem estar relacionados aos objetivos definidos e produzir informações úteis para o monitoramento e a tomada de decisão.
Nesse processo, a quantidade de indicadores não é o único fator relevante. É importante que as métricas selecionadas sejam adequadas aos objetivos da organização, possam ser acompanhadas ao longo do tempo e contribuam para a análise dos resultados.
O próprio iESGo do TCU utiliza indicadores para avaliar práticas de governança e sustentabilidade em organizações públicas, demonstrando como diferentes dimensões podem ser acompanhadas por instrumentos de avaliação estruturados.
Monitorar e avaliar resultados:
A implementação de ESG não termina com a criação de uma política, plano ou conjunto de indicadores. É necessário acompanhar a execução das ações, verificar resultados e identificar pontos que precisam ser ajustados.
O monitoramento permite observar se as iniciativas estão avançando conforme planejado. Já a avaliação pode contribuir para compreender seus efeitos e orientar decisões futuras.